quinta-feira, outubro 09, 2008

Os noivos, os convidados e os mirones


Nesta altura, ainda o casamento religioso era o grande acontecimento da vida, não apenas dos noivos como das respectivas famílias. A própria terra e as suas gentes viviam estes dias com um entusiasmo e uma ansiedade tais, que era como se o espírito de família se estendesse a toda a população durante os cerimoniais.
A imagem, com os convidados muito acotovelados e juntinhos aos noivos e ao pároco, e todos eles prestes a serem engolidos pela multidão dos mirones, é bem o reflexo desse sentimento generalizado. A foto não o mostra, mas o repicar dos sinos, nesta hora, potenciava sobremaneira o bater de todos os corações.
Foi há cinquenta anos o casamento da Patrocínia e do Artur. Uniu duas famílias das mais conceituadas das nossa terra: a do lavrador José Lopes «Carapito» e a do comerciante João da Cruz Monteiro.
(Foto cedida pelo José Manuel Borrego Ribeiro).

quinta-feira, outubro 02, 2008

«Branca e radiante vai a noiva»


Branca e radiante vai a noiva, assim começa o belo poema da inspirada canção «La Novia», que o chileno Antonio Prieto havia de compor, escassos três anos depois desta fotografia.
A noiva é a Maria Alice Afonso e é ela que ali vai, branca e radiante, na Rua da Igreja (hoje Rua Professor Manuel Vicente Moreira), em direcção à casa dos pais, na Rua da Salgadeira.
Passaram cinquenta anos após esse 1 de Outubro de 1958.
Felizmente, este casamento ainda dura.

quarta-feira, setembro 17, 2008

Tempo de Vindimas


O Salvador de outros tempos foi terra de muito vinho. E de bom vinho!
Quem se não lembra da alegria esfuziante com que o rancho de vindimadores, homens e mulheres, percorriam as vinhas para a colheita dos dourados e maduros cachos, que, cheias as cestas de verga, despejavam na enorme dorna que aguardava em cima do carro de bois?
Quem se não lembra dos alegres homens e rapazes que, calças arregaçadas para cima do joelho, pisavam, compassada e ritmadamente, até noite dentro e por entre cantares e dichotes brejeiros, os túmidos bagos que enchiam o pio de rude granito beirão?
Quem se não lembra do extraordinário e divertido São Martinho salvadorense, de saudosos foliões como o Ti Zé Violas, o Vidal Félix e tantos outros?
Quem se não lembra, enfim, do tempo em que quase toda a aldeia fazia vinho, de pipa ou de barrico, sendo grande ofensa não aceitar «um copito do meu» a essa gente, de tal modo que, ao fim da ronda dominical, já se trocavam os pés e já fluíam as cantigas à desgarrada?
O quadro supra, apesar da sua faceta humorística, deixa bem vincada a importância do vinho nos tempos passados.

terça-feira, setembro 09, 2008

Maria Pires, ou Maria Sabina


Senhora de uma voz espectacular e de uma boa disposição irradiante, presente em tudo quanto fosse rancho floclórico, grupo de cantares ou festa tradicional em que se apresentasse o Salvador, Maria Pires de seu nome de baptismo, mas de todos conhecida por Maria Sabina, foi bem uma das figuras mais representativas da nossa terra, nas últimas seis ou sete décadas de Novecentos.
Nascida em 1907 e falecida já no novo milénio, Maria Sabina veio de uma humilde família salvadorense - a grande maioria! -, daquelas que têm como principal abundância a honra, o trabalho e uma alegria muito grande de viver e de interagir no meio e na comunidade onde se integram.
Maria Sabina nunca chegou a rica, nem sequer a remediada, nem mesmo à literacia, mas o seu saudável sentido de humor, a sua voz límpida e potente, bem como os característicos adufes, que confeccionava com as suas próprias mãos, foram ingredientes vitais de tantos e tantos momentos de cantigas, religiosas ou populares, quaresmais ou carnavalescas, que marcaram tão profundamente o tempo dos nossos avós.

(Foto cedida por seu filho Miguel Pires Costa - o Miguel Sabino, nosso companheiro de infância).

sábado, agosto 23, 2008

Os balcões de pedra e o «passarinho»


O Salvador da passada década de trinta - muito provavelmente quando esta foto foi feita - tinha imensos balcões de pedra, alguns dos quais já passaram por este blogue.
Para além de serem emblemáticos das pessoas mais abastadas da terra, pela sua altura e pela sua imponência eram palco de momentos importantes: a partir deles se cantavam as alvíssaras, ou se encomendavam as almas, pela calada das noites quaresmais; neles fazia paragem a «música» da festa para o mata-bicho dos músicos; era ainda deles que provinha o brado jocoso e galhofeiro das choradelas de entrudo... e também serviam de palanquim privilegiado para uma bela fotografia, coisa ainda bastante rara naquele tempo e, daí, a atenção e o ar grave com que os retratados espreitavam o «passarinho».
Neste caso, o cenário é o balcão do Ti António Cigano, na Rua da Ferradura, e, pelo que vemos, atraiu a garotada da vizinhança.

Foto cedida por José Manuel Borrego Ribeiro.

sábado, agosto 09, 2008

... em pedaços repartida


«Pátria em pedaços repartida», foi assim que nos ensinaram e era assim que as pessoas comuns o entendiam, na sua inocência e na sua simplicidade. Assim o entenderam imensos salvadorenses, de várias gerações, que por lá faziam a sua vida, honradamente, lá constituíram família e, se alguns mais velhos ansiavam voltar um dia ao Salvador, as gerações seguintes, que lá nasceram e lá se sentiam em sua terra, pouco os prendia a Portugal, salvo meras raízes familiares.
Porém, os homens sábios das novas ideologias não nos reconheceram direitos de conquista ou de descoberta, nem de ocupação ou tão pouco de naturalidade, e fomos escorraçados, expulsos e espoliados, dali para fora.
Nós, os da foto, estivemos por lá apenas de passagem, mas o tempo suficiente para virmos com aquela terra no coração, para nos preocuparmos com o que lá se passa e para sentirmos um nó na garganta, ao pensarmos como poderia ter sido bem melhor, para os novos países lusófonos, se tivessem aproveitado o capital humano que foi obrigado a sair, a grande maioria já ali nascido.

sexta-feira, julho 25, 2008

A Maria Júlia


A Rua da Cinza foi sempre uma das artérias mais movimentadas de Salvador. Pela manhã, as pessoas dirigiam-se apressadamente aos campos e às hortas, donde retiravam o «pão nosso de cada dia». Faziam-no acompanhadas dos seus animais: as cabras, os burros, as vacas, que faziam parte do esforço familiar para o sustento.
À noitinha dava-se o regresso a casa, e a rua era percorrida em sentido contrário. A passada era então mais frouxa, porque as pessoas e as bestas carregavam produtos da terra e os amojos das cabras pediam ordenha.
Sentada à porta de sua casa, praticamente durante todo o santo dia, a Maria Júlia distribuía lindos sorrisos a todos estes transeuntes, que não conseguiam ignorar tanta simpatia e, por isso, quer à ida quer à vinda, lhe dirigiam palavras simpáticas e carinhosas: Olá, Marijúlia! Ou, para se meterem com ela: ó mandriona, ainda estás no mesmo sítio?!
A Maria Júlia era filha do casal Filipe Silva e Ascenção Silva, que teve, salvo erro, seis filhos, dois dos quais, o Zé e a Maria Júlia, nasceram deficientes em elevado grau: não tinham autonomia mental, não falavam e não andavam, apesar de conseguirem arrastar-se a partir da posição de sentados no chão. Ainda assim, a deficiência da Maria Júlia era menos profunda do que a do irmão. Problemas de consanguinidade, dizia-se, em virtude dos pais serem parentes.
A Maria Júlia nasceu muito próximo, no tempo e no espaço, do autor destas linhas e uniu-nos sempre um enorme carinho. Éramos vizinhos, somos do mesmo ano e as nossas famílias foram sempre muito amigas. Na foto está com a Fatinha ao colo: a nina patino (a menina do Albertino), como ela conseguia dizer.
Mas não é por esta amizade que a Maria Júlia vem aqui a propósito. É, sim, por ser uma das personagens mais conhecidas e acarinhadas do Salvador de outros tempos.

sábado, julho 19, 2008

A Família Afonso


Não está aqui completa a Família Afonso, mas, apesar de algumas ausências, vê-se que era de notável extensão, a avaliar pelo grupo que «olha o passarinho».
Família invulgarmente unida, ansiava por todos os momentos em que pudesse juntar-se. Em passeio, ou ao redor de uma mesa, eram sempre momentos de pura alegria.
Esta foto não é muito antiga: será dos primeiros anos de Oitenta, mas assinala já perdas dolorosas, que importa aqui homenagear com muito amor e imensas saudades.

domingo, julho 06, 2008

O balcão da «Menina» Rita


Os do meu tempo lembram-se de que a passagem do «fundo da estrada» para o adro da igreja era tão apertada que a maioria das camionetas não entrava lá, para ir descarregar aos comércios. Já em intervenções anteriores aludimos ao facto, com algumas imagens ilustrativas.
O balcão da «Menina» Rita, que aqui vemos, não é apenas lembrado por dificultar o acesso de viaturas ao adro, mas, principalmente, por ser um autêntico jardim florido, emblemático dessa praça nobre da nossa terra, que é o adro, e miradouro privilegiado dos casamentos, baptizados, procissões e demais eventos que decorriam na igreja.
Por aquelas ocasiões, era do balcão da «Menina» Rita que se deitavam, à «rabatina», mancheias de rebuçados, que a criançada – e não só – se atropelava para apanhar.
Era também ele a moldura perfeita para as fotografias importantes, apesar de, naquele tempo, o registo dos belos vasos floridos ficar a preto-e-branco...
Não sabemos a data da imagem supra (arriscaríamos cerca de 1950), mas conhecemos a maioria das personagens em pose:
1.º plano: Henrique Cruz Monteiro (futuro padre); António Amaral (com o filho Manuel) e o guarda-fiscal José Afonso.
2.º plano: Manuel Cruz Monteiro; Armando Afonso; Libério Costa Silva e Acácio.
3.º plano: Ismael Cunha Leitão; Francisco Cruz Monteiro e José Nunes Ribeiro.

(Foto geltilmente cedida pela senhora D. Deolinda Raposo)

terça-feira, junho 17, 2008

O primeiro automóvel


A magnífica foto que hoje aqui apresentamos não está datada, supondo nós que seja de cerca de 1945, mais ano, menos ano. Ao centro de uma autêntica moldura humana, e quase engolido por ela, está o Ford V8, de matrícula AC-82-56, que foi o primeiro automóvel de Salvador e cuja chegada foi, como se vê, alvo da enorme curiosidade que a bela imagem tão bem regista.
O dono da formosa máquina era o senhor António Manteigas Raposo («Toninho» Raposo), que vemos atrás do ombro direito do tocador, aliás seu irmão «Zeca» Raposo.
O local da pose é o Adro da Igreja e o prédio de fundo é o da referida família Raposo, a mesma que, alguns anos antes, doara o relógio da torre da igreja da nossa terra.
Esta viatura, e o seu generoso proprietário, serviriam inúmeras vezes para situações de emergência, respondendo, graciosamente, a aflições de pessoas da terra, por mais humildes que fossem.
E o autor destas linhas nunca esquecerá que foi neste carro que, pela primeira vez, andou «a cavalo» num automóvel, e a «cavalada» foi bem comprida...
Teria eu oito ou dez anos, o Sr. António Raposo, que era muito amigo de meu pai, precisando de companhia para ir a Oliveira de Azeméis, onde tinha uma irmã, pediu ao amigo «Violas» que deixasse o rapaz ir com ele. E assim foi. Algo maravilhoso e inesquecível. Recordo que apanhámos neve na estrada, para lá da Guarda. Fizémos paragem, para comer, em Fornos de Algodres. Fixei este nome, que achei estranho para ser nome de terra, mas, mais ainda, fixei o que comi: bifana! Não sabia o que aquilo era, mas achei um desgoverno: um pedaço de carne, que daria para todos comermos em casa, com batatas ou com arroz, estava todinho dentro do meu papo-seco! Visto com os olhos de agora, parecerá tudo normal e nada extraordinário, mas, naquele tempo, não se comia carne com a abundância de hoje. A carne do porco estava na salgadeira e era para durar todo o ano; as galinhas deviam pôr ovos e a sua carne era para os doentes; cabrito e borrego comiam-se nas festas, quem os tinha ou possuía dinheiro para comprar; finalmente, as vacas serviam para lavrar e para puxar o carro... Como os tempos mudam!
Deixando a viagem e voltando à fotografia, os salvadorenses que nos seguem, sobretudo os mais velhos, encontrarão aqui muita gente conhecida, do tempo em que «chapéus ainda havia muitos»!
Juntamos um diagrama com as personagens numeradas, para ajudar às identificações. Obviamente que solicitamos que no-las comuniquem, para que vamos actualizando o quadro. Podem fazê-lo através de comentário a este post ou para a.calamote@gmail.com.

Foto gentilmente cedida pela Exma Senhora D. Deolinda Raposo.

quinta-feira, junho 12, 2008

Os «Pregões do Meio»


Era uma tradição bem comemorada. Quando um par de noivos resolviam celebrar o sacramento do Matrimónio, iam ter com o senhor prior para darem andamento aos «proclamos».
Eram os papéis necessários para organizar o processo de casamento.
A primeira fase era dar a conhecer à comunidade, em três domingos seguidos, que fulano e fulana queriam casar, e se alguém tivesse conhecimento de algum impedimento, o mais comum era a consanguinidade, desse conhecimento dele.
O segundo domingo da proclamação chamava-se: «pregões do meio». Nesse domingo o ritual era o seguinte: a família da noiva adoçava tremoços que chegassem para os familiares e amigos, e o noivo arranjava boa pinga, para darem a todos os que quisessem juntar-se a eles, no baile que organizavam. A noiva aparecia com um lindo vestido preparado para esse dia, além de todos os adereços que possuía. Igualmente o noivo. «Toilete» que só ia servir para o segundo dia após o casamento.
As famílias de ambos preparavam a fogaça para o senhor prior: tremoços, uma garrafa de bom vinho, a melhor pita da capoeira e um bom «pão-leve», também conhecido por pão-de-ló.
Assim eram festejados os pregões do meio. Era, nem mais nem menos, o dia dos esponsais no hábito judaico, compromisso solene do noivado, que atraiçoado já era adultério.
Nessa semana, os noivos levavam os tremoços às casas dos amigos, que retribuíam com uma oferta, ao novo casal a formar-se já com dia marcado.
Pe. Henrique

quinta-feira, junho 05, 2008

«Dancing» dos anos 1930


Os grandes dancings do Salvador eram os terreiros, bem conhecidos dos jovens e dos adultos.
Nos domingos da parte das manhã, alguém com um regador borrifava o terreiro, para abater o terreno e não levantar o pó, na hora da dança.
Era ver as raparigas com os belos vestidos domingueiros alegrarem o ambiente e como era lógico os rapazes de camisa branca, colete escuro, calças no mesmo tom, cravo na orelha ou no bolsinho do colete, o bom perfume da época, encherem o terreiro. Ali aguentavam na cavaqueira e chalaça até chegar o homem da gaita de beiços, «o realejo», e começar a executar o seu variado e belo repertório musical, para os rapazes se dirigirem à moça predilecta, a pedir a mão para iniciar o baile.
Se alguma moça ficava sem par, pegava noutra e fazia com ela perna de dança, até aparecerem dois moços a interrompê-las, para mais dois pares engrossarem a roda.
Eram escassas as horas, para o convívio alegre.
Os casados de fresco não dispensavam a sua exibição.
Só em dias de grande gala aparecia um tocador de concertina, contratado pelos moços mais briosos do Salvador. Além do passeio domingueiro até ao Alto da Serra, era o único divertimento da mocidade, só interrompido na Quaresma e no Advento, por respeito às épocas litúrgicas penitenciais.
Este dancing tinha óptimo ar, não precisando de aparelhos e de boa iluminação.
Os mais idosos transportavam uma cadeirinha ou um tropeço, para ali passarem a tarde e garantirem o ambiente de respeito. O horário ia até ao toque das Trindades, hora sagrada para o regresso ao lar.
Assim se passavam, com grande animação e sã alegria,. as tardes domingueiras.

Pe. Henrique

sexta-feira, maio 30, 2008

Colaboração dos leitores


Alguns leitores têm manifestado apreço por este nosso trabalho, oferecendo, inclusive, colaborarem com textos e fotografias.
Muito agradecemos o interesse. Quanto à colaboração, ela é desejada e foi pedida desde o início.
Os textos, identificados, e as fotos, com legendas e se possível datadas, poderão ser-nos enviados por mail para:

quarta-feira, maio 14, 2008

Fartura de crianças em Salvador!

Esta fotografia regista um extenso grupo de meninas e meninos salvadorenses, posando frente à porta principal da igreja de Nossa Senhora da Oliveira, matriz da nossa terra. Acabaram, alegremente, de fazer a «comunhão solene» e estava-se no ano de 1971, mais precisamente no dia de Santo António.
Tinham entre sete e dez anos de idade, pelo que «eram as mulheres e os homens de amanhã»! Apresentam-se diversamente vestidos, uns melhor e outros mais modestamente, mas nada de roupas de marca ou de ténis caros; não se lhes vêem os relógios no pulso, os telemóveis ou os head phones nos ouvidos! Estão aconchegadinhos uns aos outros, saudavelmente sorridentes e felizes; nada de PSP’s, de Nintendos, ou de outros jogos electrónicos que lhes roubem a concentração e os subtraiam à vida que os rodeia!
Estas crianças da fotografia têm hoje os seus próprios filhos. A grande maioria teve, porém, de emigrar para outras terras, e agora já não há fartura de crianças em Salvador.
Os tempos eram outros, dir-se-á.
De facto eram, mas serão os de agora melhores?

quarta-feira, abril 23, 2008

Há vinte anos partiste!


NOTA: A imagem de fundo «roubei-a» algures na Internet. Peço desculpa – e agradeço – ao autor do feliz instantêneo.

sexta-feira, abril 04, 2008

O Chafariz da Sacristia

Cada fotografia reproduz um momento único da vida das pessoas visadas.
Pode ter passado muito tempo; pode o papel ter amarelecido com os anos; pode a própria imagem ir desvanecendo, mas o momento ali continua: ali permanece a pujança e a juventude; a expressão e o gesto; o semblante e a figura, o sorriso e a simpatia...
No caso presente, o enquadramento parece ser o Chafariz da Sacristia, no seu lugar primitivo (foi recentemente afastado uns metros devido à construção da Casa Mortuária). Ali foi tirado o retrato que, à força de o mirarmos, se torna familiar e convida a nossa memória a mergulhar no tempo, tentando identificar as personagens.
Só senhoras e meninas, ao que parece. Mesmo as senhoras, algumas delas – se me não engano – foram sempre tratadas por «meninas».
De facto, creio reconhecer as senhoras: Menina Maria «do Sr. João da Cruz», Menina Rita Berenguilho, Lurdes Leitão e Alda «Frederico». Não consigo identificar mais nenhuma, apesar de julgar que a mais pequerrucha parece ser a «Alicinha» França. Deixo o resto para os leitores do Salvador Barquinha d’Oiro.
O chafariz ostenta a data de 1951 e a fotografia deve ser de alguns (poucos) anos depois.
Foto cedida por José Manuel Borrego Ribeiro.

segunda-feira, março 24, 2008

Missa nova no Salvador

Por que motivo tanta gente frente à casa de Maria Antónia Tavares e João da Cruz Monteiro?
Era catorze de Abril de 1953 e houve Missa Nova na terra, celebrada pelo filho do referido casal, facto ímpar na história do Salvador.

De facto, o padre Henrique da Cruz Monteiro foi o primeiro – e até agora único – sacerdote ordenado na nossa terra (à época, a tradição religiosa era muito marcante e outros jovens salvadorenses frequentaram os Seminários, mas mais nenhum teve sucesso).
O notável acontecimento foi festejado com toda a solenidade pela instituição religiosa, e os pais do novo clérigo fizeram também jus à sua felicidade, proporcionando uma lauta refeição a muitos convidados, incluindo pessoas das mais humildes do povo de Salvador.

À porta da igreja – na outra imagem – vêem-se, além do jovem padre, outros sacerdotes concelebrantes, nomeadamente o padre António Robalo Ramos (à frente), pároco de Salvador. Identificamos, ainda, o pai e o irmão (Chico) do padre Henrique. Ao lado deste, o professor José Vicente Lopes, mestre saudoso de muitas gerações de conterrâneos.

Fotos cedidas pelo padre Henrique da Cruz Monteiro.

sexta-feira, março 14, 2008

Na Rua da Cinza

Olá, eu sou o Albertino, tenho onze anos e estou aqui penteadinho, de risco ao lado, nesta foto tirada em 1949, na Rua da Cinza, à frente das casas dos dois irmãos – meu tio e meu pai – António Calamote, pedreiro, e José Calamote (Zé Violas), sapateiro. É uma daquelas fotos que o meu irmão Henrique tirava quando vinha de férias, no Verão. Já vou dizer quem são os outros:
À minha direita está o meu pai; a minha mãe, Maria Lucinda, está lá atrás, de blusa escura às pintas, ao lado do meu tio António. Ao colo do meu pai está o meu sobrinho Zé Henrique, com comichão no nariz.

O casal que tem os bebés ao colo são os meus primos António Calamote e Maria Pereira, recentemente prendados com as bonitas gémeas Maria de Fátima e Maria do Carmo.
As senhoras da frente são a minha cunhada Palmira, a minha prima Carolina e uma vizinha, creio que chamada Otília Pereira.
Atrás da Otília vê-se a porta da oficina de sapateiro de meu pai, que era também o encarregado do correio. O local era, assim, bem conhecido dos salvadorenses.
A oficina era um cubículo, pelo que a leitura dos destinatários das cartas que chegavam era geralmente feita a partir daquela porta, para uma «plateia» que esperava ansiosa.
Por essa altura já eu conhecia (vinha no meu livro da 4.ª classe) o célebre episódio de Mestre Bento Pertunhas, na Morgadinha dos Canaviais, e tive oportunidade de verificar, com os meus próprios olhos, a diversidade de semblantes em presença, durante cada um dos rituais diários da leitura do correio.

segunda-feira, março 10, 2008

«Instantâneo feliz»

Coincidência ou «instantâneo feliz» é o que se chamará ao facto de estarem praticamente sobrepostas a imagem e a cruz, nesta foto da procissão em honra de Nossa Senhora de Fátima, que vai em direcção à capelinha, em 13 de Maio de 1956 – um lindo dia primaveril.
É apenas um pormenor, de entre outros, tais como a «rica» ornamentação do andor; a alva vestimenta dos mordomos; o luto carregado das idosas; os lenços de cabeça ou a compostura das crianças pela mão das mães...
Mas há mais, muito mais! Há a maravilha da fotografia!
Com efeito, este «instantâneo» parou o tempo naquela ensolarada manhã e naquele exacto ponto da estrada de Salvador. A procissão está parada, mas tem vida.
Dir-se-ia tratar-se de pausa para reflectir...

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Passeio de Domingo


Grupo de jovens salvadorenses aproveita uma amena tarde de domingo, gozando um agradável passeio pela estrada fora.

(Foto de cerca de 1960, cedida pelo Prof. Libério Candeias Lopes)