
quinta-feira, dezembro 30, 2010
Ano Novo

domingo, dezembro 19, 2010
Natal 2010 – Ano Novo 2011
quarta-feira, dezembro 08, 2010
Assentar praça





O serviço militar obrigatório terminou oficialmente em 19 de Novembro de 2004, mas já alguns meses antes deixara de ser feito o recrutamento de conscritos, ou seja, os rapazes com idade de servir à tropa deixaram de ser recrutados e obrigados a ir às sortes, a ir à inspecção, a assentar praça, deixando de ser, assim, retirados, às suas famílias e aos seus empregos, por um período variável, nunca inferior a dezoito meses, mas que poderia ir até três ou mais anos.
O futuro dirá se é bom ou se é mau, mas, no meu tempo, em Salvador, era este um período muito importante das nossas vidas, dado que, sobretudo para os naturais da província, fazer o serviço militar representava um apreciável salto qualitativo em termos das hipóteses possíveis de um futuro diferente, com outras expectativas de qualidade de vida, que a aldeia não podia, naturalmente, proporcionar.
São de 1958 as fotos, deste vosso amigo, que darão uma ideia (favorável) da primeira fase do serviço militar – a instrução – que nos aguardava logo que assentávamos praça.
terça-feira, novembro 30, 2010
«Sarra-se» a Velha

Homens e rapazes folgazões, muniam-se de cortiços de abelhas vazios, que friccionavam com um sarrafo (pau rugoso), produzindo um ruído ensurdecedor e irritante. Aos gritos «sarra-se a velha!, sarra-se a velha!», juntavam grande algazarra de vozes, latas e chocalhos. A chinfrineira obrigava a visada a vir para a rua a gritar com eles e a expressar a sua ira com a «malandragem», que assim atingia os seus objectivos de obrigar a pobre velhota a saltar da cama e a apanhar tamanha «braveira» e irritação.
Pode parecer agora absurdo, mas as pessoas não se escandalizavam com estes actos de chacota e de aparente má-educação perante pessoas idosas, quase sempre escolhidas entre as mais desfavorecidas e sozinhas: era a tradição que, ao tempo, imperava, e fazia parte das diversões inocentes e costumeiras, sempre aguardadas, com ansiedade, na altura própria de cada ano.
sábado, novembro 20, 2010
Gente bonita de Salvador

O menino da imagem é o nosso amigo e companheiro de infância Alcino Lopes, que ali faz companhia a sua irmã Alice; as restantes meninas são a Ilda Gonçalves, a Augusta e a Alice Afonso, a Patrocínia Ferreira, a Lurdes Leitão, a Ilda e a Fernanda Silva, a Milúcia, a Alda e a Dulce Frederico. Na fila detrás figuram, «cortadas», mais três pessoas que não conseguimos identificar.
A fotografia é de cerca de 1950 e foi-nos facultada pela Ilda Gonçalves.
sábado, novembro 06, 2010
1890 – Escola em Salvador

Não imaginamos, hoje, como viveria, o Salvador de 1890, tal afronta por parte dos nossos mais antigos aliados, mas podemos ver, através dos mapas da imagem, que, na nossa terra, os meninos e as meninas já iam à escola e em número bastante razoável, tendo em conta o «obscurantismo» que os republicanos apregoavam, referindo-se à fraca alfabetização do país.
Como se vê, a freguesia já tinha um professor, Manuel Vicente Moreira (1868-1941), natural de Salvador, e uma professora, com quem veio a casar, Júlia Maria Rodrigues da Silva, que aqui exercia o magistério.
segunda-feira, outubro 25, 2010
Oito dias antes dos Santos

Havia a consciência de que o trabalho é que sustentava a barriga, que não as letras.
As crianças, à idade escolar, já tinham as suas tarefas definidas no seio da família, ajudando na medida das suas forças, já que mais não fosse tomando conta dos irmãos mais novos. As famílias eram numerosas, e a razão principal estava em que a terra sempre foi parca em alimentar as pessoas e todos eram poucos para a amanhar.
Quanto à literacia, arranjava-se sempre quem escrevesse uma carta ou lesse o que dizia o ofício da Fazenda; o resto resolvia-se com o saber da experiência transmitido de pais para filhos.
Adélia dos Santos (1899-1996), a anciã da imagem, era «mulher de guarda», e este, o guarda, era um dos poucos salários certos lá da terra, o que lhe conferia, só por si, um estilo de vida acima da média naquele tempo em Salvador. Porém, e não obstante fosse extraordinária como mulher, como dona de casa, como mãe, etc., inseria-se na grande maioria dos analfabetos daquele tempo.
Não lhe faltava expediente, nem vivência nem cultura: esteve na Alemanha, em Angola e em Moçambique, de visita a filhos que ali residiam à época, mas Adélia dos Santos nunca soube o ano em que nasceu, e, quanto ao dia, dizia, simplesmente, que nascera oito dias antes dos Santos.
É hoje, 25 de Outubro, e dai esta homenagem.
A foto foi tirada em Luanda, no início dos anos setenta. Adélia dos Santos está com a filha Augusta, o genro Albertino, os netos Fátima e Zé Carlos. O aviador é o meu sobrinho Tó Zé, em visita de passagem.
quinta-feira, outubro 21, 2010
Tempo do Serviço Militar

Nos tempos que correm, a civilização, através dos modernos meios de comunicação, vai de encontro às gentes onde quer que se encontrem; naquele tempo era necessário que as pessoas deixassem as suas terras e fossem procurá-la noutras paragens.
Castelo Branco, com as suas unidades militares – Regimento de Cavalaria 8 e Batalhão de Caçadores 6 – era o centro mais próximo, que reunia as centenas de jovens da região, e lhes ministrava, além da formação militar, uma parte muito substancial e importante da formação cívica, moral e cultural para a vida, a ponto de, para a maior parte dos jovens, ser relevante e muito nítida a diferença, para melhor, entre o «antes» e o «depois» do serviço militar.
A foto é de 1959 e mostra, em acção, a fanfarra do Batalhão de Caçadores 6 que, naquele tempo, nos domingos de manhã, tinha por hábito evoluir pelas ruas circundantes do quartel, espelhando o aprumo, o garbo e a disciplina que eram apanágio da formação militar, e tão úteis e necessários eram para a juventude.
terça-feira, outubro 05, 2010
O fascínio da fotografia

Nesta ocasião, o local foi a entrada da «nossa escola», na estrada, próximo do Alto da Serra. Eu fiquei do lado de cá, a disparar para o Leonel Salvado, para o Zeca Amaral e para o João Bicho.
Quando disse a «nossa escola», quis mesmo dizer que ela era também a dos pequenos mirones, visto que somente em 1960 deixou de ser a única escola masculina lá da terra.
Foto cedida pelo Leonel Salvado.
segunda-feira, setembro 27, 2010
Verão de 1950


A família Caiado era das mais conceituadas da nossa terra: modestos lavradores, mas gente da mais trabalhadora, da mais pacata e da mais séria que o Salvador tinha.
As fotografias são do mesmo tempo, apesar da curiosidade de mostrarem diferentes «meios de transporte». Há um núcleo de gente mais jovem que figura em ambas as imagens: a própria Clemência Caiado e as filhas, a Fernanda Silva, a Ilda Gonçalves, a Hermínia Borges. Na de cima vemos ainda: Manuel Caiado e mulher – os pais –; a Carolina Borges; a Emília, mulher do sargento Silva e mãe da Fernanda; um casal que não sei identificar; a Laura Robalo e, finalmente, Zeferino Miguel (cabo da Guarda Fiscal de Salvador, marido de Carolina, pai de Hermínia, vizinhos e amigos da família Caiado).
Fotos cedidas por Ilda Gonçalves e seu marido Leonel Salvado.
terça-feira, setembro 21, 2010
Zé Manel Robalo

Nos papéis deixados pelo meu pai, estava esta imagem publicitária de um artista - Amaral Roballo -, com uma dedicatória simples: «Para os compadres»
Ora, o Amaral Roballo, que já andará perto dos setenta, era efectivamente o filho único de meus padrinhos Adozinda Amaral e José Robalo (daí tratar os meus pais de compadres). Foi meu companheiro de garoto, se bem que um pouco mais novo, e era meu vizinho de rua, para além da proximidade familiar já referida.
Não sei se o Zé ainda pratica vida artística, uma vez que ele foi sempre extraordinariamente dotado para as artes do espectáculo e para a comunicação em geral.
A imagem dá disso boa conta, mas funciona aqui, principalmente, como a oportunidade de Salvador Barquinha d’Oiro - Blogue do Salvador de Outros Tempos homenagear um destacado salvadorense e um muito prezado amigo de infância.
domingo, setembro 12, 2010
Gente do meu tempo


O celebrante foi o padre António Robalo Ramos, e nas fotos podemos também ver muitos familiares e amigos dos noivos: os mais velhos já desaparecidos, para darem lugar aos que, então, eram crianças e jovens cheios de vida.
segunda-feira, setembro 06, 2010
Figuras de Salvador

Comunicativo, jovial e folgazão, o Tó era senhor de um chiste sempre pronto e de uma troça implacável de qualquer um que afinasse com as suas graças, nem sempre inocentes. O melhor era mesmo sorrir e deixar passar...
Contrabandista, trabalhando geralmente à noite, passava os dias pelas tabernas, jogando um truco ou uma raioula, sem praticamente ir a casa. Ela não lhe cairia em cima, costumava dizer.
O almoço era uma escapada breve, para uma rápida sopa, e voltar de fatoco de pão e tora de chouriça na mão esquerda e navalha na direita, comendo pela rua a fora, em direcção à partida interrompida, mas não se coibindo, pelo caminho, de gozar o coxo, de arremedar a muda ou de atentar algum velhote que passasse por ele na ocasião.
Costuma dizer-se que homens reinadios são homens bons, e isso era mesmo verdade com o Tó Cataninho.
quarta-feira, setembro 01, 2010
A festa de Salvador

Umas vezes mais religiosa, outras mais profana, a festa tem conhecido, no primeiro caso, fama de grande romaria regional, emparelhando com a Senhora da Azenha, com a Senhora da Póvoa, ou, mesmo, com a Senhora do Almurtão; do ponto de vista dos divertimentos populares que proporciona, a Santa Sofia primou sempre por grandes cartazes, tendo, em anos não muito longínquos, preenchido o seu programa com artistas e conjuntos de primeiro plano nacional, quer em projecção artística quer em custos de cachê.
Em tempos de crise as coisas são diferentes, mas nem por isso a festa de Santa Sofia deixa de continuar a ser o catalisador da comunhão anual de todos os salvadorenses.
terça-feira, agosto 10, 2010
A Farda

Quando eu era rapaz, andavam fardados os militares, os guardas e os polícias, os funcionários dos comboios, dos eléctricos e dos autocarros; os do correio e dos telefones, os padres, os taxistas, os moços-de-fretes, os cauteleiros e tantos outros profissionais de então. Tempos houvera, de resto, em que até os deputados usavam o seu próprio uniforme...
A farda era, assim, considerada factor de grande prestígio e de honra para a instituição que representava; era motivo de considerável apreço para os cidadãos que se reviam nas suas virtualidades nacionais e sociais; e era condição de inegável garbo, mas também de muita responsabilidade, para os agentes que as envergavam.
Depois do «25 de Abril», as fardas foram desaparecendo, porventura em nome de complexos de antigo regime, ou de modernos conceitos de igualdade e de liberdade, que, entre outros «benefícios», nos impediram de passear, à tardinha ou à noitinha, calmamente, pelos jardins e pelas ruas; de dormir de janela aberta ou com a chave na porta, sem que sejamos barbaramente assaltados, apesar de, é bom que se diga, podermos expressar-nos (quer dizer refilar) sem nos levarem presos.
A imagem é do dia do casamento do meu irmão Aníbal, há sessenta e tal anos, em Nisa, envergando, na mais importante cerimónia da sua vida, a farda de jovem guarda-fiscal.
segunda-feira, agosto 02, 2010
Fundo da estrada e Cimo da serra

A maioria dos salvadorenses sabe que o «fundo da estrada» é o troço que vai desde a igreja até onde agora é a Junta de Freguesia, e que o «cimo da serra» é a zona da portela da estrada de Salvador quando acaba a subida e começa a descer para Aranhas.
Sempre me fez muito confusão dizerem que o «fundo» era da estrada, e que o «cimo» era da serra. Ninguém me deu uma razão, mas há razões aparentemente sem razão nenhuma!
Ah! A foto é no «cimo da serra», em 1957. Vêem-se três jovens, o Henrique Leitão, o Zé Manel Robalo e eu (o Zeferino Afonso não se vê porque foi o fotógrafo), e dois aspirantes a jovens, os meus primos Zé Manel e Manel António, filhos do meu tio/primo José Arraquel, aos quais, só por isso, consentíamos que ouvissem as nossas conversas de gente crescida.
domingo, julho 25, 2010
Lembrando amigos

Começara a década de setenta, andávamos pelos trinta e poucos anos de idade e estávamos em Luanda. Era uma altura em que os militares de carreira andavam para lá e para lá, em sucessivas comissões.
Três camaradas, depois três grandes amigos, tiveram a sorte de, à terceira, poderem, finalmente, mandar ir a família para junto de si. E foram alguns meses de franca convivência entre eles e as respectivas famílias, que, assim, cimentaram uma enorme amizade que, apesar dos que já partiram, se continua pelos mais novos, que, de resto, já têm filhos maiores do que eles aqui eram na imagem.
A foto, de 1971, foi tomada no, então, Bairro Salazar, na zona dos quartéis e para os lados do aeroporto. Nela participaram o Abel Figueiredo (que foi o fotógrafo) e, da esquerda para a direita, José Carlos Calamote, Adélia dos Santos, Fátima Calamote, Maria Augusta Calamote, Fernando Monteirinho, Fernando Manuel Monteirinho, Albertino Calamote, Vítor Figueiredo, Pedro Monteirinho, Maria de Lurdes Monteirinho e Maria de Lurdes Figueiredo.
segunda-feira, julho 12, 2010
Água velha / Água nova

Nesta época da água engarrafada (ou engarrafonada) toda a gente bebe água velha. Alguma, até, porventura, já fora do prazo de validade...
O Salvador de outros tempos era conhecido pela abundância e qualidade das suas águas, que jorravam, frescas e gratuitas, das suas nascentes, particularmente da Fonte do Povo e do Chafariz do Cerrado, mais conhecido por Chafariz da Capela. Era também bebida pela população a água doutras fontes rurais, bem como de grande parte dos poços das hortas, sobretudo durante os trabalhos de campo e das regas estivais, em que tinha maior tiragem.
Em nossas casas, a água de beber estava nos cântaros de barro, logo à entrada, sobre a cantareira. No Verão usavam-se ainda as cântaras, ou cantarinhas, também de barro, que, assim que a sombra dava no balcão, se traziam cá para fora, para receberem a brisa da tarde ou da noite.
Só Deus sabe como certas vasilhas de barro faziam a água fresquinha e gostosa de se beber! Não tinha marca nem custava dinheiro. Era água puríssima e rigorosamente nova, substituída todos os dias nos cântaros, porque, diziam as nossas queridas mães: «Logo de manhã arruma-se o asado à telha, porque água de ontem é água velha[1]!».
domingo, julho 04, 2010
Lembrando o Ultramar

Não se pode inferir que haja tristeza nos olhares, apesar de se adivinhar também existir aqui um esforço de vontade à recomendação do fotógrafo: – Então... É para a posteridade!
Começavam novos tempos em Portugal e também em Salvador. Apesar de um ou outro salvadorense ir trabalhar para a cidade, até aí a mobilidade dos nossos rapazes resumia-se à vida militar. Era a tropa que vinha tirar os homens da terra, devolvendo-os após lhes ministrar determinada instrução que, para a maioria, era também cívica e cultural para o resto da vida.
Com o problema do Ultramar, a vida militar ficou mais exigente: o tempo de serviço aumentou, a distância e os riscos também, e o recrutamento passou a ser quase generalizado. No Salvador, e nas outras terras, podem contar-se pelos dedos os rapazes que se escaparam ao serviço militar, nos longos treze anos do conflito ultramarino.
Não quero enumerar as consequências nefastas para tanta gente desta geração, que passou e passa dificuldades várias; que perdeu vidas (Salvador deu duas: o Júlio Antunes Sapo e o José Maria da Silva); que esteve e continua a estar esquecida pela Nação.
Pior só o ostracismo e o desprezo que as consciências emergentes do 25 de Abril de 1974 votaram ao enorme esforço desses tantos rapazes do meu tempo, que, aliás, foi altruísta, abnegado e patriótico, como seria impossível agora!
– E se nós, salvadorenses de hoje, tratássemos de honrar e homenagear essa gente, com um singelo monumento na nossa terra?
segunda-feira, junho 21, 2010
A cantareira

Nas prateleiras cimeiras eram alinhadas as mais vistosas louças da família, que, na maior parte dos casos, consistiam em alguns pratos e tijejas, púcaros, travessas e pelanganas, de feira, pintados com motivos campestres e saborosas quadras populares, como esta: Os pratos da cantareira / Estão sempre tlim-tlim / Assim é o meu amor / Quando está ao pé de mim.
Toda a cantareira era como uma espécie de montra, bem cuidada e ornamentada, onde a dona de casa se revia: alvos panos de linho ou de renda a cobrir os cântaros; artísticas e coloridas tiras de papel recortado (às vezes de jornal) pendiam das prateleiras, enfeitando-as. Pela cantareira se avaliava também a solidez do lar e a função incomparável da mulher e da mãe na família daquele tempo: Vai beber à cantareira / A silva que nasce na escada / Sempre parece solteira / A mulher que é bem casada.
London Time

