
terça-feira, março 09, 2010
No balcão à fresca

quinta-feira, fevereiro 25, 2010
Padre Henrique

Era meio-dia de 12 de Abril de 1953. A igreja matriz de Nossa Senhora da Oliveira foi demasiado pequena para toda a gente que queria assistir à celebração, e muitos ficaram lá fora, povoando o adro.
Nesse dia o Salvador estava em festa e registava um movimento extraordinário, já pelo acontecimento em si, já porque a família do jovem padre gozava de grande consideração na nossa aldeia e nas povoações vizinhas.
Finda a missa, uma multidão de gente dirigiu-se para junto da casa da Família Monteiro, em atitude espontânea de carinho e de júbilo (ver post de 24 de Março de 2008).
Para além do almoço que a família ofereceu aos convidados, o novo sacerdote fez questão de que fosse servida, também, uma refeição aos pobres de Salvador, numa manifestação de grande religiosidade e de humanismo, que o caracterizariam pela vida fora.
O padre Henrique, já octogenário e felizmente ainda entre nós, foi o único sacerdote católico que a nossa terra viu nascer até hoje. Este facto materializa apenas uma das muitas razões para que Salvador Barquinha d’ Oiro: blogue do Salvador de outros tempos aqui lhe deixe esta modesta homenagem.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010
Nas férias grandes

A foto foi-nos enviada pelo ilustre conterrâneo e amigo, Padre Henrique da Cruz Monteiro, de cuja carta transcrevemos algumas linhas:
«Envio-lhe uma foto dos anos 40, de um grupo de jovens estudantes, que nas férias se encontravam no Salvador, para conviverem e fazerem passeios pelos campos, para gozarem da beleza da natureza e do ar puro que não encontravam nos meios citadinos.
Os rapazes: Amadeu Afonso, Henrique da Cruz Monteiro, Zeca Silva, Alexandre Cancelas, Aires Robalo e outro que não identifico.
As meninas: Hermínia Borges, Maria de Lurdes (Milucha), Ilda Silva, Fernanda Silva e mais duas que não identifico».
Obrigado ao Padre Henrique, que assim vem enriquecer este blogue com mais um saboroso momento dos bons velhos tempos do nosso Salvador.
terça-feira, fevereiro 09, 2010
O fato de «guardar»

Estes rapazes, todos eles já a contas com a tropa, passeavam a sua dispensa de fim-de-semana estrada acima, em busca de sítio asado para tirar o retrato.
Passavam à Senhora de Fátima quando repararam neste belo Morris Minor, que preenchia, à maneira, um belo fundo para a imagem. E ninguém diz, cinquenta anos passados, que o automóvel não era seu e que não tinham chegado de um agradável passeio por entre as covas e os caramouços de brita da macadamizada e sinuosa estrada do Salvador para as Aranhas.
Só não me lembro é se o baile era lá ou se era cá.
quinta-feira, janeiro 28, 2010
Eram meninas

Foram passear até à capela de Santa Sofia, como era hábito «sagrado» nos domingos à tarde. Atrás está a Lurdes Leitão, a Milúcia, a Alda Peres e a Maria Alice Afonso; à frente vemos a Patrocínia Ferreira e a Maria Augusta Afonso.
Alardeiam beleza e juventude, e sorriem-nos as promessas de futuro que ficaram registadas nesta bela imagem.
Algumas já nos deixaram, mas poderemos ver aqui como elas eram, todas, graças a esse extraordinário invento que foi a fotografia.
A foto foi cedida pela Maria Alice.
quarta-feira, janeiro 20, 2010
Prof. José Vicente Lopes – a homenagem que falta

Numa altura em que raros alunos tinham oportunidade de prosseguir estudos, a preocupação do Professor era dotá-los com diferentes conhecimentos, que não se ficavam pelos programas oficiais, mas, antes, abrangiam uma gama imensa de teorias e práticas essencialmente dirigidas aos problemas que a vida real poderia colocar às crianças de 11 ou 12 anos que deixavam a escola e, subitamente, se encontravam perante a vida activa, num tempo e numa terra em que, para almejar um emprego, havia que emigrar, no mínimo, para Lisboa.
O professor José Vicente Lopes, quando saia da escola, ocupava, ainda, a maior parte do seu tempo em tarefas e serviços prestados aos seus conterrâneos, como sejam funções na Junta de Freguesia, no Posto do Registo Civil, no juizo de conciliação e solução de conflitos entre vizinhos, ou em muitos outros casos de ajuda e de conselho às pessoas que recorriam aos seus conhecimentos, prestígio e experiência. Todos estes encargos eram gratuitos, bem como as atrás referidas funções oficiais, ao tempo não remuneradas.
Em vida, José Vicente Lopes foi condecorado, pelo Presidência da República, com a Ordem da Instrução Pública, e também muito justamente homenageado pelos seus alunos. Porém, ele foi, sem sombra de dúvidas, uma das maiores figuras de Salvador, tendo marcado a sua época de forma indelével.
Mal vai a terra-mãe que não honra os filhos que a dignificam e engrandecem.
O professor José Vicente Lopes merece que o seu nome seja devidamente gravado na sua terra, para que o seu exemplo, tão presente na memória daqueles que tiveram a dita de o conhecer, fique também na história de Salvador e perdure pelas suas futuras gerações.
domingo, janeiro 10, 2010
1.ª Comunhão

A imagem de hoje mostra um lindo grupo de jovens, infantes e adolescentes, num ambiente de primeira comunhão, que era, então, um acontecimento de grande importância na pacatez social das nossas aldeias, ansiosamente aguardado pelas crianças, carinhosamente preparado por párocos e catequistas, atentamente acompanhado pelos pais e pelos professores e um espectáculo dominical a não perder por toda a população.
A felicidade e a alegria estão estampadas nos rostos dos retratados, sem dúvida abençoados por um daqueles claros e luminosos dias primaveris, que o nosso próprio imaginário mantém, ainda bem vivos, do Salvador de outros tempos.
Foto (1960?), cedida pelo Frederico Nuno Vicente Lopes
quinta-feira, dezembro 31, 2009
Ano Novo?!

Continua esta eterna contradança
De iludir as gentes com a «mudança»
Do que nunca muda, embora pareça.
É, cada novo ano, nova promessa
Que impele a retomar a confiança.
É mais um desengano para a esperança,
E, de novo, a desilusão regressa.
Ó mortal, deixa-te de calendários!
Crê apenas no momento de agora!
Se também sonhaste, p’la vida fora,
E tiveste crenças e anseios vários,
Não queiras viver estes meus calvários...
Recusa o ano: manda-o embora!
sábado, dezembro 19, 2009
Boas Festas
segunda-feira, dezembro 14, 2009
«Toninho» Raposo

António – ou Toninho–, um dos filhos do velho comerciante, é o que está, elegantemente, de fato branco. E a sua curiosa posição, de joelho em terra, sugere ter sido ele a tirar a fotografia, com recurso a disparo por retardador e à correspondente corridinha...
António Manteigas Raposo desempenhou, por mais de uma vez, entre 1933 e 1945, funções de presidente da Junta de Freguesia de Salvador. Tratava-se de um homem culto e de vincada postura política, aliás muito acima do normal para o meio.
Toninho Raposo é também recordado por ter sido, em 1945, o primeiro salvadorense com automóvel próprio: um vistoso Ford V8, preto, de matrícula AC-82-56.
sábado, dezembro 05, 2009
Pausa para o Retrato
Em meados do século, ainda a actividade agrícola tinha importância fundamental entre a população da nossa terra, apesar de já se registarem crescentes casos de abandono dos campos, em busca de novas e mais promissoras hipóteses noutras paragens.
Como se suspeitassem que aquele momento chegaria ao nosso conhecimento aqui e agora, vemos, na imagem, alguns trabalhadores rurais salvadorenses, que posam atentamente, empunhando os respectivos instrumentos de trabalho (enxada, sacho, ancinho, regador), enquanto que outras alfaias, ou utensílios de trabalho mais pesado, como o arado, a grade e o próprio carro de fueiros, se arrumam junto do portão da quinta, à espera dos respectivos animais, companheiros inseparáveis dos camponeses na labuta da terra.
_______
* In José Vicente Lopes, Salvador [manuscrito inédito], Salvador, 1960, p. 33.
domingo, novembro 29, 2009
Rua da Cinza

Aqui vão uns versinhos à minha rua:
A Rua da Cinza é minha,
Herdei-a por nascimento.
Guardo-a, bem guardadinha,
Junto do meu pensamento.
Saindo do Fundo da Estrada,
Finda na Rua Direita.
Mesmo antes de ter calçada
Já ela era a mais perfeita.
Tinha casas, muitas casas,
Alegria e foliões;
Tinha rondas, tinha arruadas,
E flores nas procissões!
Tinha vida, muita vida,
Trabalho e divertimento;
Povo de cabeça erguida,
Salvador em movimento!
A Rua da Cinza é minha,
Herdei-a por nascimento.
Deixá-la-ei, inteirinha,
Quando fizer testamento.
sexta-feira, novembro 20, 2009
A água do Salvador

Encostadas ao chafariz fundeiro, de costas para a Rua Direita e para a imponente casa do Dr. Júlio Moutinho (actual Centro de Dia), temos: a Arlete, a Alda Frederico, a Lurdes Leitão, a Maria Alice, a Nazaré, a professora Maria Natália, a Maria Augusta e, ainda, de mais tenra idade, julgo ver a Severiana Candeias Lopes, a Maria Manuela (Manecas) Vicente Lopes, a Zezinha Silva Raposo (com a mão sobre a vista) e, finalmente, um triciclista, que creio ser o Manuel Tavares (Manelito).
Tinha o Salvador de outros tempos coisas muito boas, algumas delas só conhecidas dos mais velhos! E não falo já da juventude, aqui tão presente e tão distante: refiro-me, agora, e com acentuada nostalgia, à água leve e puríssima, brotada das nascentes da serra da Santa Sofia, que aqui vemos correr abundantemente.
Naquele tempo, é claro!
quinta-feira, novembro 12, 2009
Outros balcões altos

Não é o caso desta imagem de 1961, que mostra um balcão com uma certa altura, mas em que, nem as pedras nem o trabalho de pedreiro, nos sugerem tal situação, mas uma casa de gente simples, embora vestida a propósito e pondo o seu melhor semblante para o retrato que há-de ser expedido para o familiar distante, a fim de servir para mitigar saudades e para abreviar o regresso.
É família de José Afonso e Adélia dos Santos, naturais de Proença-a-Velha, que, no final dos anos vinte, vieram para o Salvador, onde viveram toda uma vida e onde estão sepultados.
domingo, novembro 08, 2009
Família Leitão

O jovem par que se vê atrás é o Henrique Leitão e a Lena. Quanto aos restantes, são o Manuel Sebastião, a Lurdes e os filhos de ambos: a Fátima, de cócoras; a Filomena, de mão na cintura, a Fernanda e o Nelson.
O «Manel» deixar-nos-ia pouco tempo depois de feita esta imagem; o Nelson partiria também enquanto jovem e a Fernanda conheceu uma viuvez precoce há bem poucos dias.
A Lurdes, que tem agora perto de oitenta anos, acumulou já uma vasta experiência de sofrimento: os pais, os sogros, um irmão, o único cunhado, o marido, o filho, o genro, todos lhe foram arrebatados, sem dó nem piedade.
Dizem que o sofrimento redime porque Deus o ligou ao amor. Mas lá que é injusto, isso é!
quarta-feira, novembro 04, 2009
Belo ramalhete de flores

O «ramo», disposto em pirâmide sobre o «Penedo da Saudade», transborda boa disposição e irradia felicidade. Privilégios da juventude!
Este barroco, situado no cimo da serra, era passeio obrigatório para os jovens, que ali se reuniam, para conversarem, nos domingos à tarde e, por vezes, também nas noites enluaradas e cálidas de verão os rapazes ali permaneciam, divertidos, a contar anedotas, até altas horas da noite.
Identificamos, na imagem, de cima para baixo e da esquerda para a direita, a Nazaré, a Manecas, a Lurdes Raposo, a Maria Silva, a Maria Augusta, a Alice França, a Maria Alice, a Arlete, a Helda, a Lurdes Leitão, a professora Maria Natália, a Alda Frederico, a Stelinha e a Zezinha. Se me enganei, corrijam-me.
Homenageamo-las a todas, mas com saudade as que já partiram.
domingo, novembro 01, 2009
Um casal salvadorense

Era um simpático casal que vivia do seu trabalho: ele, guarda do Vieiro nos tempos em que das minas se extraíam toneladas e toneladas de minério de ferro, que grandes camionetas transportavam até às siderurgias; ela levava a vida atrás de um tear, que accionava com agilidade e destreza, e do qual se faziam ouvir, ao redor, os sons sincronizados, primeiro da lançadeira a correr entre a urdidura e a trama, para um lado e para o outro, e, depois, a batida vigorosa do pente contra o encosto. Era um afã que se repetia vezes sem conta, até que se acabasse a toalha, o panal ou a manta que a freguesa encomendara...
A fotografia, tirada em 1946, destinava-se ao filho António, que vivia em Moçambique, e foi por isso que ambos se aperaltaram como se vê.
As vistas foram as possíveis daquele tempo: o tosco muro de alvenaria de um quintal, e, ao longe, um pedaço da bonita serra do Salvador.
terça-feira, outubro 27, 2009
As calças de «pana»

Mas não foi por isso que a fotografia para aqui veio. Outra coisa me motivou a mostrar-vos a referida imagem: nem mais nem menos do que as minhas calças de pana preta!
Pana era o nome que nas aldeias da raia, como o Salvador, se dava à bombazina – um tecido rústico, grosso, mais barato e resistente do que o surrobeco ou do que o próprio burel.
Estávamos nos tempos fortes do contrabando, e a pana era um dos principais artigos que vinham de Espanha, na conhecida permuta clandestina de géneros e produtos que escasseavam num e noutro lado da fronteira, mercê do atraso económico que, nesses anos, vitimava ambos os povos dos dois países ibéricos.
Nessa espécie de economia paralela, nós mandávamos para lá o café e o açúcar e de lá recebíamos a bombazina e os chocolates.
sábado, outubro 17, 2009
A malhada

Pois bem: malhadas, nesta acepção, eram propriedades rústicas, mais ou menos extensas, exploradas por um lavrador, as mais das vezes rendeiro, que nelas se fixava com a família, em habitações pouco mais que provisórias e com condições mínimas. O trabalho familiar assegurava as tarefas fundamentais da pecuária e da agricultura, salvo na época das colheitas (ceifa, malha, vindima, azeitona, etc.) em que havia reforço da parte de familiares e amigos e, raramente, de assalariados.
As malhadas tomavam o nome dos seus titulares: era a «Malhada do João Bicho», a «Malhada do Javier Morales», etc.
A foto foi tirada na Malhada do Zé Mendonça, lá p’ra trás, pr’ás Naves. Foi no Verão de 1965, e documenta um agradável piquenique à sombra duma azinheira: manta de trapos estendida no chão; ensopado de borrego fumegando nos pratos e pão-trigo cozido em casa; «palhinhas» funcionando; melancia e cântaro de barro com água para refrescar; lenço ao pescoço e chapéu de palha por mor do calor de Agosto...
... até o Alberto, um pastor-como-membro-da-família-Mendonça, largou o rebanho e veio até à sombra da azinheira, mais o seu fiel rafeiro, preencher a foto e tomar lugar à «mesa».
sexta-feira, outubro 09, 2009
Um parentesco singular

Natural de Penamacor, viveu a maior parte da sua vida em Salvador, primeiro como guarda-fiscal e, depois de reformado, como uma espécie de homem dos sete ofícios, mas, principalmente, como pintor-caiador.
sábado, outubro 03, 2009
Dormir ao relento

Então lá íamos todos os de casa, grandes e pequenos. Espalhávamos umas faixas de palha pelo chão, e, sobre a palha, grossas mantas de trapo faziam de lençóis. Com mais dois ou três cobertores, dormíamos todos juntos, lado a lado, naquela cama enorme.
Eu, nos meus dez anos, não era muito foito em questões de noite e de escuro, mas, com tanta companhia, sentia-me completamente seguro, e excitado, mesmo, com a aventura.
Os adultos ficavam a conversar até altas horas e a olhar para o céu e para as estrelas. Os mais pequenos acabavam por adormecer e sonhar, até que o luz do dia os acordava, bem cedo aliás, no dia seguinte.
Esta foto é de 1948, e documenta uma das felizes manhãs da horta, após uma noite em cama de feno, no maravilhoso concerto dos sons e dos aromas da Natureza – como o cantar dos grilos e o odor dos poejos –, sob um firmamento de luzes monumentais.
quarta-feira, setembro 23, 2009
O jovem, a seara e a fisga

Tudo ali era esperança, nesse preciso momento: a juventude evidente, a promissora seara e a fisgada confiante.
Juventude, searas e fisgas já não são, para nós, infelizmente, mais do que saudosas e angustiadas recordações que a passagem dos anos vai tornando cada vez mais penosas. Com excepção, talvez, da fisga, que pouco ou nada mudou desde então, e que, julgo eu, continua na mão dos garotos lá da terra, quando fazem despiques para ver quem acerta melhor ou quem atira a pedra mais longe..., ou a assustar os passarinhos que pousam nas árvores ao seu alcance!
quarta-feira, setembro 16, 2009
A «Quinta»

Os rapazes são o Mário e o Frederico «Farragas» e o Albertino «Violas». O fotógrafo terá sido a irmã deles, a Maria Manuela, ou algum outro amigo que agora não recordo.
A quinta era a do Dr. Frederico Conde, na Ramalha, onde os pais deles eram caseiros, e que era completa e suficientemente identificada por «a Quinta».
Tratava-se de uma propriedade extremamente bem aproveitada e mimosa. O olival e a vinha eram excelentes e asseguravam produções notáveis.
Com fartura de água, os produtos hortícolas eram ali abundantes e de óptima qualidade. Tinha ainda imensa variedade de árvores de fruto, cobrindo, praticamente, todo o ano.
Dispunha ainda a «Quinta» de um belo aglomerado de casas, ajardinado, com instalações agrícolas e pecuárias, com morada para os caseiros e onde pontuava um sóbrio palacete dos proprietários, que residiam em Castelo Branco e ali vinham passar os fins-de-semana para descansarem e para levarem abastecimentos para casa.
Ora, o que fariam ali os rapazes? Divertiam-se, é claro!
Não havia TV, nem computadores, nem jogos electrónicos... Mas, decerto, correram e saltaram pelo meio do milho; saborearam «galula» dos marmeleiros, amoras ou figos, ou outra fruta da época e beberam daquela água fresca e pura do poço da nora...
E despreocupados como andavam, nem lhes passou pela cabeça que a sua garbosa figura iria parar à Internet, cinquenta e cinco anos depois!
quinta-feira, setembro 10, 2009
Ainda o livro – entrevista
Salvador em livro – Lançamento
terça-feira, setembro 08, 2009
Festa de Santa Sofia

terça-feira, agosto 25, 2009
Casamento em Fátima

Trata-se dum registo do casamento do Libério Silva, realizado em Fátima, em 24 de Abril de 1962. Os noivos estão rodeados de familiares e de convidados que foram personalidades bem conhecidas e consideradas no Salvador, e de que destacamos o casal de professores Maria Adelaide e José Vicente Lopes, com a sua numerosa e simpática «turma» de filhos.
A foto foi-nos cedida pelo Adelino Justino, que também ali posa.
terça-feira, agosto 11, 2009
Salvador em livro
sábado, agosto 08, 2009
A Casinha

quinta-feira, julho 30, 2009
Militares

Os militares estiveram sempre presentes na História de Portugal desde os seus primórdios: nas lutas contra leoneses e muçulmanos; contra agressores e ocupantes castelhanos; contra invasores franceses; nas campanhas africanas do mapa cor-de-rosa; na primeira guerra mundial, em França e em África.
A tropa era conscrita, por ordem dos governos da Nação e para defesa da mesma, isto é, o serviço militar era obrigatório e tinha por fim a defesa nacional. Entretanto, o serviço militar obrigatório foi abolido em Portugal em 2004, mas teatros de guerra como a Bósnia, Timor-Leste, Kosovo, Afeganistão, etc. etc., têm a nossa tropa a defender, voluntariamente, terra alheia.
Os EUA também aboliram o serviço militar obrigatório em 1973, na sequência da Guerra do Vietname...
sexta-feira, julho 17, 2009
No prelo

Na suas cerca de 300 páginas, são abordados aspectos históricos, económicos e culturais, desde as origens conhecidas até meados da segunda metade de Novecentos, época considerada, pelo autor, a mais próxima do «tempo dos nossos avós». A publicação inclui dois extratextos: um com a divulgação de diversos documentos antigos; outro com várias imagens a cores – estas, evidentemente, bastante menos antigas.
Trata-se de um trabalho assaz incipiente, mas em boa parte realizado com uma segunda intenção: que foi a de tentar contagiar os salvadorenses mais jovens e procurar despertar, neles, iniciativas novas que vão no sentido de um estudo mais aprofundado da nossa terra e das nossas gentes.
domingo, julho 12, 2009
A turma de Tavira
Vai para cinquenta anos que, entre os dia 1 de Setembro de 1959 e 30 de Janeiro de 1960, este vosso amigo conheceu, ao pormenor, a bela cidade de Tavira. A terra algarvia que mais igrejas tinha, diziam. E era verdade: acho que nem cheguei a visitá-las todas, apesar do inegável atractivo monumental, da pluralidade de estilos arquitectónicos e da diversidade de influências religiosas de cada uma delas.
Naquele tempo Tavira fervilhava de militares, que animavam o comércio e as pensões, e alvoroçavam o sentido do elemento feminino, perante o renovar constante de vagas de imberbes mancebos e, como tal, de potenciais hipóteses de namorico... ou talvez mais.
De facto, funcionava ali o Centro de Instrução de Sargentos Milicianos de Infantaria (CISMI), por onde passavam anualmente algumas centenas de instruendos de todo o país. Muitos ali tiveram namoradas, ou madrinhas de guerra, e alguns por lá casaram.
Alguns dos camaradas de turma vim a encontrá-los, cerca de dois anos após, na odisseia portuguesa do Ultramar; outros não os vi mais. Que vivam e que sejam felizes todos!
Neste mundo, tanta coisa mudou, entretanto!
Mas da juventude que detínhamos, da camaradagem que sentíamos, da solidariedade que retribuíamos, das ilusões que eram só nossas, durante aqueles excitantes cinco meses em conjunto, subsiste, ao fim deste meio século, este elo de amizade que, ao recuperar as imagens, o faz com o coração cheio e o olhar húmido.
quarta-feira, julho 01, 2009
Convívio familiar

Na família Afonso era o Armando e a Maria Augusta quem fomentava essa união familiar, e eram de sua iniciativa a maior parte dos agradáveis serões, dos frequentes piqueniques ou das «obrigatórias» férias de verão no Salvador. Era, para eles, uma imensa felicidade terem a família à sua volta – família numerosa em crescendo, mas, por isso mesmo, crescentes eram o amor, a alegria e a dedicação deles.
Malfadadamente, o Armando e a Augusta foram os primeiros a desaparecer. A família continua amiga como dantes, mas a garra, o dinamismo e o espírito de iniciativa foi com eles.
Nas férias de 1977, a família juntou-se mais uma vez no Salvador para a Santa Sofia, e a foto seguiu-se à merenda saboreada à sombra das árvores da piscina da Termas de Monfortinho.
terça-feira, junho 23, 2009
As meninas «bem»

As meninas da foto não precisavam de trabalhar no campo. Eram as meninas «bem» do seu tempo e este estatuto advinha-lhes de serem filhas de guardas ou de proprietários. Dizêmo-lo com franqueza e sinceridade. Era assim mesmo.
Naquele tempo raro era o jovem que seguia estudos. O liceu era em Castelo Branco e as posses das pessoas – mesmo das «remediadas» – não comportavam a despesa. O caso feminino era ainda mais excepcional: ainda se acreditava ser suficiente a preparação, mais ou menos cuidada, para o casamento e para a família.
Já são cada vez menos as meninas deste grupo, cuja singela beleza enchia de luz e de jovialidade os luminosos e alegres passeios de domingo do nosso Salvador, naqueles felizes anos cinquenta.
Foto cedida pela Lena Prata Afonso.
segunda-feira, junho 08, 2009
O compadre Catarro

Lembro-me mais das suas histórias, bem como das de meu tio António, que morava na casa ao lado. E, também, dos agradáveis serões à luz do candeeiro a petróleo, quer em nossa casa, quer quando íamos de visita aos primos Maria de Andrade e José Calamote, que moravam na Rua da Salgadeira.
Aqui, jogava-se ao «burro», e eles deixavam-me jogar desde que comecei a conhecer as cartas, mas aborrecia-me muito a conversa deles, pois nunca mais jogavam: a falar, a falar, a falar! Só gostava de os ouvir quando falavam dos carnavais do Salvador, e dos entrudos e das partidas que o meu pai pregava mais os seus compadres e colegas da folia. Esses compadres eram o João Pereira, o Zé Robalo e o Filipe Catarro. Pelos vistos, eram danados para a brincadeira...
Ora, este homem que está na imagem, todo pipi da tabela, é o compadre Catarro, e a fotografia é de quando esteve na Argentina, nos longínquos anos vinte, se a memória não me atraiçoa.
Esta foto, com outras da época, integrou uma moldura pendurada na sala de meus pais, desde que me conheço até que a casa foi remodelada, depois de falecerem. A sua publicação no Salvador barquinha d’oiro é um tributo à lembrança do compadre Catarro e, também, dos compadres dele!
domingo, maio 31, 2009
1949 – Onde pára esta gente?

quinta-feira, maio 21, 2009
Foi há vinte, há trinta?
(Foto cedida por Zeferino Afonso)
quarta-feira, maio 06, 2009
Quem sabe a razão?

Até aqui tudo bem, mas existe um pormenor que intriga muita gente, incluindo nós próprios, que não temos uma resposta para lhe dar. Trata-se da existência de duas imagens da Santa, uma de estilo reconhecidamente mais antigo – diríamos que de traça medieval – e a outra bastante mais moderna.
O curioso é que ambas tomam parte nos actos religiosos, nomeadamente nos percursos processionais das festas, cada uma com o seu andor engalanado e, pelo menos até há alguns anos, coberto de notas e de outras oferendas.
Talvez que algum dos nossos leitores conheça as razões desta coexistência das duas imagens da nossa veneranda Santa Sofia, e não se importe de as compartilhar.
sexta-feira, abril 24, 2009
quinta-feira, abril 23, 2009
quarta-feira, abril 22, 2009
Que saudades...

A foto e as palavras que se seguem foram enviadas pelo nosso conterrâneo Lino Pinto, de 40 anos, que se considerou transportado aos anos oitenta quando leu o nosso «post» de 16 de Fevereiro, sobre o Clube Recreativo e Beneficiente de Salvador:
«Que saudades dos tempos do nosso clube, dos jogos de futebol; jogávamos por um sumol e uma sandes (quando havia), éramos transportados em carrinhas de caixa aberta, mas sempre todos felizes, porque estávamos a representar a nossa terra. Lembro-me, também, dos saudosos bailes, das noites passadas em convívio, onde se juntava toda a juventude de Salvador e dos arredores. Nessa altura toda a gente visitava o Salvador. Que saudades...
Remeto-lhe uma foto da equipa da época de 1985/86. Na fila de trás, em pé, da esquerda para a direita: O treinador Albano, Tó Churro, Morais, Zé Bicho, Fredy, Tó Leandro, Calita Banana, Quim do Álvaro e Zé Landeiro. Em baixo, da esquerda para a direita: Lino, Zé Moleiro, Jorge Fareira, Jaime (guarda-redes), Vítor Leandro, Paulo Alemão (guarda-redes), Zé Pássaro e Zé Carapito (infelizmente já falecido)».
Salvador Barquinha d’Oiro agradece a colaboração do Lino e aproveita o ensejo para formular um desejo muito sincero, que é o seguinte:
– Que a associação cívica «Amigos de Salvador», que, de momento e em boa hora está emergindo, não deixe que o antigo «Clube Recreativo» permaneça no ostracismo em que tem existido, reabilitando-o ou integrando-o no seu seio, e recuperando, para a nossa terra, todo o seu património e todo o capital de sonho que, como vemos, marcou uma geração de salvadorenses.
domingo, março 29, 2009
Fotografia «a la minute»

As pessoas que queriam tirar o retrato encostavam-se muito direitas e quietinhas à parede, que estava protegida com um xaile ou com uma coberta, para o fundo ficar mais bonito. A câmara era uma vulgar caixa de madeira, montada em cima de um tripé. Tinha uma abertura atrás, coberta com um pano negro, e outra, pequenina, à frente. De lado tinha uns painéis para publicitar os retratos. O artista encostava a cabeça à abertura traseira, cobria-a com o pano escuro e, quando via que as pessoas estavam prontas, tirava a cabeça para fora e dizia para os fregueses: – Olha o passarinho!
E premia uma bolinha de borracha que tinha na mão e estava ligada por um fio à câmara. Depois metia as mãos lá dentro, sempre fazendo escuro com o pano, e tirava de lá uma cartolina impressionada em negativo, que depois colocava em frente da lente, a uma distância de alguns centímetros.
Após mais um clique na borrachinha, e breves minutos de espera, retirava uma tina com a foto mergulhada num líquido, primeiro branca e começando aos poucos, como por magia, a aparecem os contornos das imagens, até, finalmente, surgir uma bela fotografia que nos deixava de boca aberta.
segunda-feira, março 23, 2009
O «Cimo da Serra»

Dali se desfruta uma vista privilegiada. Para um lado o Salvador, o cabeço de Monsanto e a vasta campina que se desenvolve a perder de vista; para o outro, os cumes da Gardunha, os campos de Penamacor, a Arrochela, as casas das malhadas da fronteira e, mais lá, Espanha adentro, Valverde del Fresno, Heljas e outros «pueblos», até aos contrafortes da Sierra de Gata.
O «cimo da serra» era, noutro tempo, o destino obrigatório dos passeios de domingo dos jovens de ambos os sexos, que se divertiam alegremente, estrada acima e estrada abaixo.
E era no «cimo da serra» que os rapazes mais velhos passavam muitos dos serões de verão: tínhamos ali o nosso «penedo da saudade», no qual nos sentávamos, em amena cavaqueira ou contando anedotas, à luz do luar ou ao lusco-fusco das estrelas, até altas horas da noite.
sexta-feira, março 13, 2009
Os queijos da «Ti Mília»

Vivemos mais de meio século afastados da terra natal, salvo as breves visitas anuais, para matar saudades das pessoas e das coisas que, na ausência, povoavam o nosso imaginário: as pessoas eram os familiares, os amigos e os conterrâneos em geral: as coisas eram várias, mas os aromas e os paladares das nossas comidas em primeiro lugar.
Assim, queremos aqui evocar os queridos amigos Emília Vinagre e José Mendonça (infelizmente já falecido), visita obrigatória de cada vez que íamos à terra, e desejamos salientar aquela mesa sempre farta e sempre posta que, nas Naves, no Salvador ou no Carvalhal, acolhia os amigos.
Finalmente, devemos confessar que mantemos intacto, no nosso íntimo, o cheirinho e o gosto da sopa de grão com massa, da morcela e da farinheira, das azeitonas e do queijo da «Ti Mília».
São as suas mãos de fada que, na imagem, apertam a coalhada nos acinchos, extraindo o soro (magnífico!), que escorre sobre a francela e é aparado no alguidar.
sexta-feira, março 06, 2009
A «Menina» Rita









